O horizonte do Morumbi,
distante, com aparência de creme,
fofo, rosado e lindo.
Eu não consigo ir além de mim.
Tenho uma caneca enorme
de café, sem o creme
do horizonte.
Não consigo me desvencilhar de mim.
A Marilyn me olha com aqueles
olhos de peixe morto.
Fumando, como eu.
Não consigo me inspirar em mim.
Sou o horizonte pálido da minha
própria vida.
Sou uma caneca vazia.
E inspiro apenas a fumaça sinuosa,
vendo tudo,
com meus olhos de peixe morto.
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