Levarei essa doçura na língua.
Maldita.
A doçura e a
língua.
E nem que se queira,
nem que se esforce,
e mesmo que o silêncio se mantenha,
pra sempre,
duro e frio,
até a pedra, a madeira,
e o metal,
estarem duros e frios sob
meu corpo, morto,
nunca será amargo.
E mesmo que as palavras venham,
um dia,
duras e frias,
e talvez ainda mais tristes
que o silêncio que me assola,
jamais será um gosto ruim.
Mesmo em meus piores
pesadelos.
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