Sou e sempre serei a poetisa
do sujo.
Não faço rimas.
Nem sempre.
Não ligo pras formas.
Não almejo fama
tampouco dinheiro.
Faço algo de mim
mesmo que pra ninguém.
Não serei a poetisa dos
mortos-vivos.
Ou dos mortos,
ou dos vivos.
Nenhum meio-termo.
Nenhum bom-termo.
Nenhum bom-senso.
Quero a miséria.
Miserável é meu jeito de ser cool.
Serei a poetisa das sarjetas
e das navalhas.
Sou a poetisa que chora nos solos
e repete os solos
pra chorar mais.
Mentirei e direi a verdade, sempre,
ou uma coisa ou outra,
sempre, com a mesma falta de fé
em mim.
Serei a poetisa dos que estão
in pain.
Dos desgraçados, dos suicidas,
dos desesperados de amor,
dos que têm sangue nas veias.
Serei essa poetisa,
e não de outra forma,
por que escrevo como eu vivo:
morrendo.
Já que a morte é o ponto alto,
passo a vida morrendo:
em cada passo, em cada inspiração,
em cada partícula de suor e saliva,
em cada palavra escrita.
Esse é o único jeito verdadeiro,
pra mim,
de viver e escrever:
morrendo.
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