Estou exilada de mim
e não há retorno.
Não retornarei, pois o lugar
em que fui condenada e de onde fui expulsa
já não mais existe.
Não existe mais o eu anterior,
nunca se retorna ao seu estado original
depois de encarar o vazio nos olhos.
O nada se torna o tudo.
Estou exilada de mim
vivendo esse meio-termo de insanidade.
Sou um país que deixou de existir
e vivo como embarcação ao vento
sem velas, sem bússola, sem remos.
Tenho apenas uma ampulheta em minha
mão esquerda.
Não me guia e nem me deixa esquecer
da areia da vida que se esvai.
Estou no exílio da alma corrompida
pelo vazio.
Com o sentimento do nada, agudo e doído.
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