quarta-feira, 24 de abril de 2013

Como Vejo

Amor é culpa,
e meio dolo.
 
Amor é o sabonete
e o edredom que
ficaram à espera.
 
Amor é a impossibilidade
de completude de cada dia.
 
Amor é o quotidiano que
não acontece
no dia-a-dia.
 
Amor é o corpo vazio
que se enche da champanhe
aberta no dia errado.
 
Amor é a boca arregalada
na boca mais próxima
beijando a boca distante.
 
Amor é inverdade,
impermanência.

Amor é roleta-russa,
com seis balas na câmara.
 
Amor é mais que ilusão,
é o ilusionista.
 
Amor é lágrima como
remédio de bobo:
de meia em meia hora
quanto se baste.
 
Amor é um campo escocês
nunca visto.
 
Amor é o jogo de War
com cinco pessoas.
 
Amor é a máfia
mutilada.
 
Amor é a visita solitária
ao museu.
 
Amor é o corte de navalha
na carne do diabético.
 
Amor é a navalha
que corta a carne do
hemofílico.
 
Amor é sujeira
é miséria.
 
Amor é a falta de
cura.
 
Amor é a densidade
do vácuo. O nada
que mata.
 
Amor é a doença que
faz respirar
como se estivesse
parindo.
 
Amor é a pele fina
do octogenário.
 
Amor é a doce e rude
indiferença
a todo o resto.
Especialmente a si mesmo.
 
Amor é o desamor
próprio.

Amor é uma carta
que nunca foi escrita.
 
 
 
Singela homenagem a Bukowski
minha visão do poema "Uma definição"


Nenhum comentário: