Se você pudesse ouvir
o grito contido na língua,a música que continuo cantando
nos lábios mudos.
Se você soubesse,
o quanto eu acredito
em toda essa bobagem que digo,
o quanto eu quero
o errado, em mim,
pra mim, dentro de mim.
Se você conseguisse entender,
o porquê do querer,e ficasse ciente de que
o que conta pra mim é
a vontade de não-morte e
não a não-vontade de morte,
e que você, é o quadrado da diferençaentre as duas coisas,
que cabem na insignificância
do que sou.
com clareza e sem muito medo,
talvez, e ainda assim, só
você pudesse tentar
e talvez, esfregar os olhos por um minuto,
e abrir uma pequena fresta
no seu peito puído,
(eu entendo),
e me dar uma chance.
E talvez, eu conseguisse,
com todas as forças que ainda
me restam,te fazer um pouco do bem que te quero,
e te mostrar, com todo meu amor,
que, talvez, o fundo de cada coisa
não seja assim tão amargo.E talvez, no fim,
pudéssemos nos iludir um pouco,
e não buscar a felicidade,
que é desejo dos pequenos de alma,
mas, ao menos, talvez, alguma
satisfação.
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