Explodi São Paulo, comigo dentro.
Bombardeei a cidade plúmbea
num dia de garoa fininha.
Vamos reconstruir a cidade.
Uma praça em cada esquina,
pra eu andar com meu amor.
Nossa casa, construirei nos escombros
da Pinacoteca.
E leremos Guimarães Rosa
em frente ao membro amputado da Estação da Luz.
Plantaremos nossa horta e criaremos uns bichos
a poucos metros de nossa morada,
bem onde ficou a sombra abstrata
do Mercado Municipal.
E assim, nessa cidade fantasma
serei feliz um dia, na vida simples, sem carro,
sem shopping, sem gente, sem corpo pra doer.
Um sonho do além: só meu amor, uns livros e eu.
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