Espero.
Espero o fim da tarde,
o momento de desvestir.
Espero o fim de semana,
aquele, de novo, não outro.
Não outro.
Espero uma vida melhor.
Espero encontrar um sentido.
A chuva, que fique mais fresco.
A hora da sobremesa.
O momento em que se cala.
Espero esquecer.
Espero me ocupar de outro.
Espero.
Espero tanto que já poderia ter parido milhares.
Espero, e a esperança que levo
é o que me salva.
Só que não existe salvação.
Não existe uma chance.
Não houve chances, nunca.
Só espera.
Vazia, inócua
e cada vez mais
cansada.
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