quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Live fast and die young

Live fast and die young
deixe um belo cadáver
num caixão
fechado
lacrado
tampado
pouco arrependido de sua
impaciência
resoluto de que
a
Morte tem
Ciência
da
Má Vontade Humana
em querer o aqui e agora
sem demora
na brutal impermanência
da
Aurora

O depois não tem fome
passado o momento
sem nome
que não se consome
no frio fastio
do estômago
gelado
no arredio arrepio
do membro
inchado
no desvario vazio
do gozo
amputado

O Tempo
imorredouro
Descabido da
Senectude
Vulgar
Amplifica
num cíclico
e perpétuo
tormento
o abandono dos
vermes
insatisfeitos
arrotando
novelos
desfeitos
de
impróprios
preceitos
putrefeitos

Este
Eco
Retumbante
e
Morto
Traz em
si o
reticente descompasso
pretérito e
constante
que jorra
tal
qual
fonte abundante
da fétida
cavidade oscular
da minha fronte

(Invado
as sinuosidades
falsas de sua alma
amarga
embaçada na decadência
dos sonhos
constrangedores)

Encerro
a bem temperado
ferro
o doce murmúrio
aquebrantado
desencantado
desenxabido
enterro
em gelada geométrica
cova
o áspero e diásporo degredo
que me
entregaste
na penúmbra
em segredo
da sua
afásica
apática
alcova
 
[Antônio Canto – 20/11/13-19:02; com a servil colaboração de Little Blue Girl – 30/10/13]

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