segunda-feira, 15 de julho de 2013

Sobre o dia do homem e outras abobrinhas

Já fui de erguer bandeirinhas em nome da igualdade. Já fui disso, também, já fui de coisas muito piores. Hoje, eu poderia estar enchendo sua paciência com conversas feministas, falando de quanto preconceito nós enfrentamos, e enfrentamos mesmo, mas, estou aqui, de coração aberto, sendo uma pessoa diferente do que era há dez anos. Eu enfrentei o machismo e a truculência do “macho” desde criança, eu sofri com isso, eu me rebelei, superei, panfletei e hoje só colho os frutos desse aprendizado que se resume a minha posição atual: nenhuma truculência, nenhum preconceito, nenhuma forma de extremismo, nada disso pode ser bom. Após um pouco mais de maturidade, percebi que nunca desejei a igualdade, que falava isso como um papagaio canta o Hino, eu queria mesmo a liberdade de ser quem eu era. Hoje eu sou uma mulher, comum em todos os aspectos, com pequenos talentos e belezas, como todas as outras. Eu sou livre, eu sou completa, eu sou inteira e satisfeita com minha completude, pois, eu busquei isso a vida toda. Sofro preconceito por ser mulher? Muito. E daí? Todo mundo sofre! Os negros, os gays, as mulheres, os gordos, os baixos, os altos, as loiras, as ruivas, os japoneses, os que mancam, as mulheres bonitas, os homens bonitos, as mulheres e homens feios, os tatuados, os não tatuados, os que ganham pouco, os que ganham muito, os que falam fino, os que falam muito ou pouco, os que têm sotaques diferentes... Eu sofro preconceito por ser mulher, até hoje. No início, o preconceito vinha especialmente no trabalho, coisa que hoje já não acontece mais, por diversas razões que não vêm ao caso. Mas, fora do trabalho, eu sofro muito preconceito pelo fato de eu ser mulher aliado a outras questões: ser bem sucedida profissionalmente, ter minha grana, cuidar das minhas coisas. Já ouvi de homens coisas como: sabia que não daríamos certo, você não precisa de homem pra porra nenhuma. Como assim? Pra uma relação dar certo, eu, porque sou mulher, preciso ser dependente? Já ouvi também: eu tenho vergonha de te buscar porque você dirige um carro melhor que o meu; ou ainda: não dá pra te levar a sério, você é independente, mora sozinha, de uma hora pra outra, muda de ideia e me deixa na mão. Veem? É um tipo diferente de preconceito, o preconceito pós-moderno! Porque sou mulher e não sou dependente, sou leviana, incapaz de sentimentos verdadeiros, pouco confiável, arrogante, não merecedora de amor etc. Claro que estou falando de um preconceito classe média instruída, existe coisa muito mais violenta por aí contra as mulheres, mas, também contra as crianças, os velhos, os gays, os pobres...
 
Eu não estou sozinha sendo vítima de preconceito, mas, não faço coro pra vitimar outras pessoas. Eu quero bons seres perto de mim: homens, mulheres, humanos, extraterrestres, cães e gatos, sejam bem-vindos! Portanto, feliz dia do homem, pra você que é homem, pra você que é humano. Feliz dia do homem, pra você que é tão igualmente diferente de mim.
 
 

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