Eu sei...
Que bobeira a minha acreditar que você, que sempre fora meu comparsa distante e
fiel no desalento, acreditaria em mim quando te disse, vem, meu amigo, talvez
haja uma esperança de alegria pra nós, andemos lado a lado em direção à câmara
de execução, fim de todos nós. Onde estava eu com a cabeça, eu que há tantos
anos não acredito em mais nada nem ninguém, que já há tantos anos desisti das
coisas do amor, que já há tantas eras entreguei-me ao comodismo, fácil e sem dor
aguda, da desesperança fosca, da tristezinha de fundo amargo, quando te disse,
venha, meu querido, e caminhemos, devagar, bebendo uma dose aqui e ali, fumando
nossos cigarros, tão automaticamente, e talvez, o fundo das coisas seja um pouco
mais doce e as horas um pouco menos foscas e talvez, sei lá, quem sabe, meu bem,
a gente consiga apagar a escuridão da falta de entendimento e respiremos um dia
um pouco de ar fresco de algum campo da Escócia? Diga-me, você que é meu leal
desconhecido, em que estava eu pensando?
Nenhum comentário:
Postar um comentário