Eu sou uma leitora ávida! Leio tudo: leio bulas, leio livros, leio livros ruins e bons; amo clássicos, devoro qualquer coisa. Estava lendo Raymond Chandler quando o murmurinho sobre "50 Tons de Cinza" ficou tão alto que simplesmente interrompi o que estava fazendo e fui ler o tal livro. Libertador: uma das definições que ouvi. Ouvi também que é um livro que "veio para romper paradígmas".
Numa boa? Posso estar sendo cruel, mas, acho que podemos ler coisa melhor se digitarmos "BDSM Contos Eróticos" no Google e clicarmos em "estou com sorte".
Você pode me perguntar: ora, ora, Bruna, por que a boneca está tão ácida com o aclamado Best Seller? Vamos aos fatos:
- Livro mal escrito, com humor clichê. Vai desde termos repetitivos a diálogos tão, mas, tão ridículos que o leitor ri de escárnio quando o diálogo foi feito pra seduzir;
- Como uma autora que se propõe a explorar o BDSM sem tabus pode tratar vagina como "lá"? Fazfavor, moça!
- Mr. Grey, moças apaixonadas, é um imbecil.
- Ficava sempre em dúvida se o nome da personagem era Anastacia Steel ou Isabella Swan;
- Sabe um filme pornô, sem história, ou com aquelas estorinhas bobinhas, bem toscas, só pra dar uma razão pras personagens transarem? 50 Tons de Cinza é isso em forma de livro.
Enfim, o livro é um horror. Apesar da minha compulsão de SEMPRE ler as séries inteiras, vou ficar por aqui. Um só é o suficiente.
Tenho mais dois comentários amargos. Primeiro: ainda estou esperando um livro novo que explore BDSM com profundidade e sensualidade (depois de Historie d'O não me lembro de outro). Por fim, quem quiser ler um bom livro, com erotismo, escrito por um mestre, tente "O Animal Agonizante" ou "O Complexo de Portnoy", de Philip Roth ou A Casa dos Budas Ditosos (João Ubaldo Ribeiro).
Espero ter salvo algumas horas da sua vida!
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